Um dos maiores diretores da TV brasileira morria há exatos 25 anos em 26 de setembro de 2001: Walter Avancini tinha 66 anos e ficou 20 dias internado na Clínica São Vicente, na Gávea, Zona Sul do Rio, em decorrência de complicações de um câncer de próstata. Pouco menos de três meses antes, o profissional deu lugar a Roberto Talma (1949-2015) na direção da novela das seis "A Padroeira", assinada por Walcyr Carrasco, hoje autor de "Quem Ama Cuida".
Quando a trama foi lançada, em junho, Avancini relatou ter sido vítima de uma bactéria. Na televisão, o diretor estreou em 1964 e passou pelas extintas Excelsior, Tupi e Manchete, trabalhando ainda na Record, SBT, Globo e Bandeirantes, além da portuguesa RTP.
Avancini dirigiu 47 novelas: por exemplo, a icônica "Beto Rockfeller" (1969), a primeira versão de "Selva de Pedra" (1972), a problemática "Brasileiras & Brasileiros" (1990), a sensual "Xica da Silva" (1996), a conturbada "Brida" (1998) - que teve final improvisado -, e a fenômeno de audiência "O Cravo e Rosa" (2000) só para citar alguns trabalhos.
Através de várias de suas novelas (ou séries, seriados, minisséries e especiais) revelou uma gama de nomes. Entre eles Tais Araújo, que relatou ao jornal "O Globo", que Avancini tinha tido 56 anos de carreira, iniciada ali pelos nove anos em um circo e em uma rádio para ajudar a família - o pai era pedreiro.
Também foram lapidadas pelo diretor Regina Duarte, Elizabeth Savala, e Sônia Braga, esta na versão original de "Gabriela" (1975). Na época, Tais lamentou a perda e a parceria em "Xica da Silva". "Avancini foi meu grande mestre, ele foi minha escola, me ensinou tudo o que sei. Ele me convidou para fazer a novela quando eu tinha só 17 anos. Estava com muito medo da personagem, minha primeira protagonista. Ele perguntou se eu não confiava nele. Eu disse que confiava, claro. Então ele disse: 'se joga!'. E fui sempre muito cuidada por ele. Era uma relação quase de pai, às vezes", afirmou.
Outro famoso que deu adeus ao gênio das novelas foi Walcyr Carrasco, com quem trabalhou na própria "Xica", "O Cravo e a Rosa" e "A Padroeira". "Era um mestre, um parceiro. Posso dizer que minha vida como autor se divide em antes e depois de Walter Avancini. Perde a teledramaturgia e perdem também, os amigos", lamentou.
Fora todos os trabalhos que citamos vale também mencionar o original de "Saramandaia" (1976), "Pai Herói" (1979), "Dulcinéa vai à Guerra" (1980), "Moinho de Vento" (1983), "Rabo de Saia" (1984, ambas minisséries), "O Grande Pai" (1991, seriado) e "Tocaia Grande" (1995, que marcou sua volta à TV brasileira após quatro anos).